segunda-feira, 9 de junho de 2014

Sempre é hora para recomeçar

Sandra Mara

As pessoas acima de 30 anos estão deixando de lado suas carreiras de sucesso para começar outra profissão, pela necessidade ou por prazer. Com vontade e coragem estão trabalhando em áreas bem disputadas no mercado de trabalho, na capital de São Paulo.
Mulheres não querem ficar em casa fazendo a mesma coisa de sempre, principalmente na área profissional em que trabalham há anos. Elas estão decididas a ir atrás de carreira nova sem priorizar o financeiro, mas focando no autoestímulo, que leva a uma vida feliz.

Conheça três guerreiras que decidiram tomar outro rumo na carreira. Bianca Saliba Di Thomazo, 35 anos, solteira, Marta Rodrigues Pacheco, 50 anos, solteira, e Darlene Almeida, 53 anos, solteira. A psicóloga Suely Katz comenta a sua visão sobre esse assunto.

Depois de 18 anos atuando como designer, Bianca, formada na Universidade Bela Artes. Decidiu ser jornalista. "Estou um pouco cansada por estar há quase 18 anos na mesma área, que está caindo. Sentia-me pouco valorizada, e vi que gosto de me comunicar", diz Bianca.

Mudar de profissão não é uma tarefa fácil. Precisa saber o que se quer. É o caso de Bianca, que demorou 18 anos para decidir que queria trabalhar como jornalista. Para isso, ela está se preparando, fazendo cursos. Em dois anos, ela já fez cerca de cinco,  cursos, na área, como Jornalismo para Web. E quer se especializar na área do jornalismo online.

Para Bianca, o mercado de trabalho não é acessível para pessoas a partir de 30 anos. "Acho que está cada vez mais difícil. Os empregadores preferem pagar bem menos para estagiário. E vejo que, cada vez mais, ter o currículo mais completo, torna difícil arrumar emprego."


Família

O apoio da família sempre é bem-vindo, não importa a idade do indivíduo. Com essa sustentação, ajuda a dar ânimo para seguir em frente. A família de Bianca apoia sua decisão. "Pediram para pensar bem, e, se eu gosto disso, é para seguir em frente e aproveitar que ainda não sou casada, não tenho filho e correr atrás de ser feliz."

Já Marta era médica veterinária homeopata, pesquisadora de doenças de abelhas e professora de Biofísica na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro. E tornou-se chefe de redação e revisora da Revista Bem Vindo A.Nó.S. há dois anos.

"Mudei do Rio de Janeiro para São Paulo. Não era conhecida aqui na área da Veterinária. Precisava arrumar um trabalho e encontrei a oportunidade de atuar na revista, que fica a uma quadra da minha residência. Isso motivou-me a mudar de área."
Não foi só por causa da mudança de cidade que Marta decidiu mudar de profissão. Ela gosta de novidades e desafios, não é mulher que "dorme no ponto." "Tenho dificuldade de me adaptar à rotina, sou muito curiosa e estou sempre mudando de rumo para aprender coisas novas”, explica Marta.


Comportamento

Antes de coordenar dez repórteres que escrevem nessa revista, todos têm paralisia cerebral. Marta era ansiosa e inquieta, não conseguia parar para ouvir o que as pessoas tinham para falar. Com o novo trabalho sua vida mudou. "Aprendi a cuidar e a ouvir o outro”, conta. Hoje, tem outro sentimento, que não tinha na outra profissão, "sentimento de realmente fazer a diferença na vida de pessoas".

Marta é aquela mulher que sempre sente prazer em atualizar seu conhecimento, gosta de desafio. Quando aceitou trabalhar com pessoas com paralisia cerebral, na mesma noite ficou estudando para saber o que seria essa deficiência.


Ela confessa que não tem problema algum para entrar no mercado de trabalho, visto que se considera "boa trabalhadora, produtiva, assídua, responsável, comprometida e com bom conhecimento geral. Isso ajuda".

Outra valente

Darlene, que era desenhista industrial, tornou-se educadora em Arteterapia, atividade a que se dedica há cinco anos. Trabalha com pessoas que têm paralisia cerebral. "Conheci pessoas maravilhosas. Tenho alegria de poder ajudar e compreender melhor sobre paralisia cerebral."

Precisou mudar de profissão depois que seu pai ficou doente e faleceu. Ela trabalhava na sua fábrica de móveis onde era projetista. Mas, mesmo que gostasse, o que fazia não era realizada, devido aos problemas familiares. “No cargo de educadora estou superfeliz", diz Darlene. 

Ela explica por que mudou de carreira radicalmente. "Quando papai faleceu, toda aquela esperança de continuar com a sua realização, que era a fábrica, me abalou e deixei tudo para trás."

Darlene não acha que o mercado de trabalho é acessível para uma pessoa mais adulta. "Fiquei mais de cinco anos sem trabalho, só fazendo bico e, além de tudo, tenho duas filhas. Não foi fácil. Conheço muita gente que está desesperada, como foi o meu caso. Graças ao Nosso Sonho consegui me sentir mais humana e agradecida por tudo que anda acontecendo."

Infelizmente, a Darlene não contou com apoio da família, quando comentou que iria trabalhar como educadora em arte, para pessoas com paralisia cerebral. "Acharam um absurdo e - disseram que não conseguiria o trabalho”, completa.


Visão

A psicóloga Suely explica que existem algumas razões para que muitas pessoas a partir de 30 anos, que têm vida sólida, decidam começar uma profissão nova. "As pessoas têm necessidade de novos desafios, novas emoções. Se passa pelo menos metade do seu dia no trabalho, é o trabalho que precisa trazer esses desafios. Se esgotou, vem a necessidade de começar de novo. Outra questão é que, às vezes, a pessoa não está se sentindo realizada naquilo que faz. O jeito é ir buscar o novo", explica.

Suely dá sua opinião sobre a pergunta: Existe idade mínima e máxima para trabalhar na área que gosta? "Não existe. Considero o trabalho a coluna vertebral emocional do individuo. É o que mantém ereto, independente das adversidades da vida. Só que, para ter essa função, o trabalho deve ser prazeroso, dar espaço para a pessoa criar e se realizar."

Segundo a psicóloga, o mercado de trabalho não é tão aberto para pessoas adultas. " Isso depende. Numa empresa, pessoas a partir de 50 anos dificilmente são contratadas. Porém, se a pessoa está recomeçando numa outra profissão liberal, tem mais oportunidade, pois a experiência de vida acrescenta à profissão. Por exemplo, uma psicóloga. A experiência de vida agrega a teoria e a técnica."

Dicas

As convidadas deixam algumas dicas para quem quer começar uma nova profissão.

Na opinião da Suely: "Pesquise a área que quer atuar, verifique se você se identifica com essa área e como está o mercado, independente da área. Quem vai começar a trabalhar deve ser ético sempre, buscar novos desafios dentro do que faz e se comprometer com o outro e consigo mesmo".

Já Bianca comenta: "Acho que deve correr, sim, atrás do que se sonha e do que se quer. O mercado não está fácil para ninguém. Deve-se ter boa vontade".

Marta recomenta que "se esteja pronto para aprender coisas novas, estude para a função".

Mas Darlene faz uma ressalva: "Se não está feliz caia fora. A vida é uma só precisamos realizar nossos sonhos".

A vida é feita de conquistas e lutas.  Para isso, é preciso ir atrás do que se quer.  Não importa a idade que tenha, o importante é tomar uma decisão.

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