Sandra Mara
As pessoas acima de 30 anos estão
deixando de lado suas carreiras de sucesso para começar outra profissão, pela
necessidade ou por prazer. Com vontade e coragem estão trabalhando em áreas bem
disputadas no mercado de trabalho, na capital de São Paulo.
Mulheres não querem ficar em casa
fazendo a mesma coisa de sempre, principalmente na área profissional em que
trabalham há anos. Elas estão decididas a ir atrás de carreira nova sem
priorizar o financeiro, mas focando no autoestímulo, que leva a uma vida feliz.
Conheça três guerreiras que decidiram
tomar outro rumo na carreira. Bianca Saliba Di Thomazo, 35 anos, solteira,
Marta Rodrigues Pacheco, 50 anos, solteira, e Darlene Almeida, 53 anos, solteira.
A psicóloga Suely Katz comenta a sua visão sobre esse assunto.
Depois de 18 anos atuando como designer,
Bianca, formada na Universidade Bela Artes. Decidiu ser jornalista. "Estou
um pouco cansada por estar há quase 18 anos na mesma área, que está caindo. Sentia-me
pouco valorizada, e vi que gosto de me comunicar", diz Bianca.
Mudar de profissão não é uma tarefa
fácil. Precisa saber o que se quer. É o caso de Bianca, que demorou 18 anos
para decidir que queria trabalhar como jornalista. Para isso, ela está se
preparando, fazendo cursos. Em dois anos, ela já fez cerca de cinco, cursos, na área, como Jornalismo para Web. E
quer se especializar na área do jornalismo online.
Para Bianca, o mercado de trabalho não é
acessível para pessoas a partir de 30 anos. "Acho que está cada vez mais difícil.
Os empregadores preferem pagar bem menos para estagiário. E vejo que, cada vez
mais, ter o currículo mais completo, torna difícil arrumar emprego."
Família
O apoio da família sempre é bem-vindo,
não importa a idade do indivíduo. Com essa sustentação, ajuda a dar ânimo para
seguir em frente. A família de Bianca apoia sua decisão. "Pediram para
pensar bem, e, se eu gosto disso, é para seguir em frente e aproveitar que
ainda não sou casada, não tenho filho e correr atrás de ser feliz."
Já Marta era médica veterinária
homeopata, pesquisadora de doenças de abelhas e professora de Biofísica na
Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro. E tornou-se chefe de redação e
revisora da Revista Bem Vindo A.Nó.S. há dois anos.
"Mudei do Rio de Janeiro para São
Paulo. Não era conhecida aqui na área da Veterinária. Precisava arrumar um
trabalho e encontrei a oportunidade de atuar na revista, que fica a uma quadra
da minha residência. Isso motivou-me a mudar de área."
Não foi só por causa da mudança de
cidade que Marta decidiu mudar de profissão. Ela gosta de novidades e
desafios, não é mulher que "dorme no ponto." "Tenho dificuldade
de me adaptar à rotina, sou muito curiosa e estou sempre mudando de rumo para aprender
coisas novas”, explica Marta.
Comportamento
Antes de coordenar dez repórteres que
escrevem nessa revista, todos têm paralisia cerebral. Marta era ansiosa e inquieta,
não conseguia parar para ouvir o que as pessoas tinham para falar. Com o novo
trabalho sua vida mudou. "Aprendi a cuidar e a ouvir o outro”, conta. Hoje,
tem outro sentimento, que não tinha na outra profissão, "sentimento de
realmente fazer a diferença na vida de pessoas".
Marta é aquela mulher que sempre sente
prazer em atualizar seu conhecimento, gosta de desafio. Quando aceitou
trabalhar com pessoas com paralisia cerebral, na mesma noite ficou estudando para
saber o que seria essa deficiência.
Outra valente
Ela confessa que não tem problema algum para entrar no
mercado de trabalho, visto que se considera "boa trabalhadora, produtiva,
assídua, responsável, comprometida e com bom conhecimento geral. Isso
ajuda".
Outra valente
Darlene, que era desenhista industrial, tornou-se educadora
em Arteterapia, atividade a que se dedica há cinco anos. Trabalha com pessoas
que têm paralisia cerebral. "Conheci pessoas maravilhosas. Tenho alegria
de poder ajudar e compreender melhor sobre paralisia cerebral."
Precisou mudar de profissão depois que seu pai ficou doente
e faleceu. Ela trabalhava na sua fábrica de móveis onde era projetista. Mas,
mesmo que gostasse, o que fazia não era realizada, devido aos problemas
familiares. “No cargo de educadora estou superfeliz", diz Darlene.
Ela explica por que mudou de carreira radicalmente.
"Quando papai faleceu, toda aquela esperança de continuar com a sua
realização, que era a fábrica, me abalou e deixei tudo para trás."
Darlene não acha que o mercado de trabalho é acessível para
uma pessoa mais adulta. "Fiquei mais de cinco anos sem trabalho, só fazendo
bico e, além de tudo, tenho duas filhas. Não foi fácil. Conheço muita gente que
está desesperada, como foi o meu caso. Graças ao Nosso Sonho consegui me sentir
mais humana e agradecida por tudo que anda acontecendo."
Infelizmente, a Darlene não contou com apoio da família,
quando comentou que iria trabalhar como educadora em arte, para pessoas com
paralisia cerebral. "Acharam um absurdo e - disseram que não conseguiria o
trabalho”, completa.
Visão
A psicóloga Suely explica que existem algumas razões para
que muitas pessoas a partir de 30 anos, que têm vida sólida, decidam começar
uma profissão nova. "As pessoas têm necessidade de novos desafios, novas
emoções. Se passa pelo menos metade do seu dia no trabalho, é o trabalho que
precisa trazer esses desafios. Se esgotou, vem a necessidade de começar de
novo. Outra questão é que, às vezes, a pessoa não está se sentindo realizada
naquilo que faz. O jeito é ir buscar o novo", explica.
Suely dá sua opinião sobre a pergunta: Existe idade mínima e
máxima para trabalhar na área que gosta? "Não existe. Considero o trabalho
a coluna vertebral emocional do individuo. É o que mantém ereto, independente
das adversidades da vida. Só que, para ter essa função, o trabalho deve ser
prazeroso, dar espaço para a pessoa criar e se realizar."
Segundo a psicóloga, o mercado de trabalho não é tão aberto
para pessoas adultas. " Isso depende. Numa empresa, pessoas a partir de 50
anos dificilmente são contratadas. Porém, se a pessoa está recomeçando numa
outra profissão liberal, tem mais oportunidade, pois a experiência de vida
acrescenta à profissão. Por exemplo, uma psicóloga. A experiência de vida
agrega a teoria e a técnica."
Dicas
As convidadas deixam algumas dicas para quem quer começar
uma nova profissão.
Na opinião da Suely: "Pesquise a área que quer atuar,
verifique se você se identifica com essa área e como está o mercado,
independente da área. Quem vai começar a trabalhar deve ser ético sempre,
buscar novos desafios dentro do que faz e se comprometer com o outro e consigo
mesmo".
Já Bianca comenta: "Acho que deve correr, sim, atrás do
que se sonha e do que se quer. O mercado não está fácil para ninguém. Deve-se
ter boa vontade".
Marta recomenta que "se esteja pronto para aprender
coisas novas, estude para a função".
Mas Darlene faz uma ressalva: "Se não está feliz caia
fora. A vida é uma só precisamos realizar nossos sonhos".
A vida é feita de conquistas e lutas. Para isso, é preciso ir atrás do que se
quer. Não importa a idade que tenha, o
importante é tomar uma decisão.
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