Brasil
tem, entre os jovens, mais que o dobro do índice de desemprego comparado com a
média mundial
Ana Paula Faine
Os desafios que um jovem
encontra para conseguir um emprego são muitos. Dentre entre eles os principais
são pouca ou nenhuma experiência, grau de instrução inferior ao exigido e
dificuldade em conciliar tempo para trabalhar e estudar. Mas ainda existem
outros percalços que dificultam as intenções do jovem brasileiro em trabalhar
atualmente. O fato é que, de acordo com a Organização Mundial do Trabalho (OIT),
apesar do crescimento econômico com emprego em toda América Latina, não houve
melhora suficiente para acolher a maioria dos jovens no mercado de trabalho
atual. O último levantamento feito em 2013 pela OIT indicou que no Brasil há
74,5 milhões de jovens com menos de 25 anos desempregados. Essa faixa etária
representa 13% do total de desempregados no País, pouco mais que o dobro da
média global, de 6%.
O quadro atual do mercado de
trabalho é de competitividade e muita exigência. Por um lado, para ter mão de
obra qualificada que atenda às necessidades do mercado é preciso investir tempo
e dinheiro. Por outro, as oportunidades de emprego se perdem pela falta de
experiência. Esse conflito, teoria x prática, não faz sentido. Afinal, se as
empresas querem funcionários com experiência, alguém terá que ceder em algum
momento e contratar um trabalhador novato para que, por fim, adquirira experiência.
No meio universitário, a
situação, ao que pareceria ser mais tranquila, não deixa de ser difícil. Uma
pesquisa realizada por alunos de jornalismo das Faculdades Integradas
Alcântara Machado (Fiam) e Faculdade de
Artes Alcântara Machado (Faam) coletou dados de quase 200 alunos
universitários de diversas universidades e cursos na cidade de São Paulo para
avaliar as oportunidades que o universitário encontra no mercado de trabalho. A
conclusão foi que pouco mais da metade (53%) dos estudantes não fazem estágio por
dificuldades de encontrar uma oportunidade onde possam aprimorar seus
conhecimentos teóricos adquiridos nas salas das universidades. Foi constatado
também que apesar das iniciativas das faculdades de inclusão do estudante no
mercado, a oferta de oportunidade não é o suficiente para suprir a demanda.
Mayara Toledo, uma das
desenvolvedoras da pesquisa, informou quais os principais pontos de
dificuldades: “Somos universitários e já tínhamos uma ideia de como anda o
mercado, mas não imaginávamos que estaria tão ruim quanto mostrou nosso
levantamento”, observa. A pesquisa coletou ddados como gênero, idade, renda
familiar, semestre, tempo de procura por estágio, dificuldades, entre outros.
Quase metade (47%) tinha entre 18 e 21 anos e pouco mais da metade (57%) eram
mulheres. Os alunos eram de diversas universidades e faculdades, como USP, FMU,
Anhembi Morumbi, Mackenzie, PUC e Cásper Líbero. Os cursos eram Medicina, Direito,
Engenharia, Comunicação, Arquitetura e Artes Visuais. Todas as modalidades de
cursos oferecem cadastro em banco de estágio, no entanto, 53% não fazem
estágio.
O governo brasileiro tem
programas de incentivo, mas, ainda assim, não consegue atender à demanda. Boa
parte dos cidadãos sequer sabe desses projetos ou usufrui desses serviços de
inclusão ao mercado de trabalho. Um deles é o Centro de Apoio ao Trabalhador
(CAT), que não somente intermedia a contratação, como tem diversos projetos
para que essa inclusão ao trabalho seja mais eficiente. Serviços como emissão
de carteira de trabalho e habilitação do seguro desemprego também são
realizados pelo centro. Mas a maioria das iniciativas de inserção é da
iniciativa privada, como o Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE) que é
mantido pelo empresariado nacional e voltado exclusivamente a jovens que estão
no ensino médio, técnico e superior. Muitos sites hoje em dia prestam esse tipo
de serviço. Alguns são pagos, outros gratuitos como vagas.com (gratuito)
catho.com.br (pago).
Existe também outra forma de
atender à população. Trata-se da união entre a iniciativa privada e pública. Um
dos exemplos é o Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego
(Pronatec). Esse programa inclui alunos selecionados na escola pública para
fazer cursos profissionalizantes e, posteriormente, esses são encaminhados para
o mercado de trabalho. O outro é o Programa Nacional de Inclusão de Jovens
(ProJovem), que os divide em categorias: adolescente, urbano, campo e
trabalhador. A ação se destina a jovens de baixa renda que precisam de
qualificação profissional. Após receberem treinamento, são indicados a empresas
associadas ao programa.
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