segunda-feira, 9 de junho de 2014

Jovens desempregados procuram oportunidade em um mercado saturado

Brasil tem, entre os jovens, mais que o dobro do índice de desemprego comparado com a média mundial

Ana Paula Faine

Os desafios que um jovem encontra para conseguir um emprego são muitos. Dentre entre eles os principais são pouca ou nenhuma experiência, grau de instrução inferior ao exigido e dificuldade em conciliar tempo para trabalhar e estudar. Mas ainda existem outros percalços que dificultam as intenções do jovem brasileiro em trabalhar atualmente. O fato é que, de acordo com a Organização Mundial do Trabalho (OIT), apesar do crescimento econômico com emprego em toda América Latina, não houve melhora suficiente para acolher a maioria dos jovens no mercado de trabalho atual. O último levantamento feito em 2013 pela OIT indicou que no Brasil há 74,5 milhões de jovens com menos de 25 anos desempregados. Essa faixa etária representa 13% do total de desempregados no País, pouco mais que o dobro da média global, de 6%.

O quadro atual do mercado de trabalho é de competitividade e muita exigência. Por um lado, para ter mão de obra qualificada que atenda às necessidades do mercado é preciso investir tempo e dinheiro. Por outro, as oportunidades de emprego se perdem pela falta de experiência. Esse conflito, teoria x prática, não faz sentido. Afinal, se as empresas querem funcionários com experiência, alguém terá que ceder em algum momento e contratar um trabalhador novato para que, por fim, adquirira experiência.

No meio universitário, a situação, ao que pareceria ser mais tranquila, não deixa de ser difícil. Uma pesquisa realizada por alunos de jornalismo das Faculdades Integradas Alcântara Machado (Fiam)  e Faculdade de Artes Alcântara Machado (Faam) coletou dados de quase 200 alunos universitários de diversas universidades e cursos na cidade de São Paulo para avaliar as oportunidades que o universitário encontra no mercado de trabalho. A conclusão foi que pouco mais da metade (53%) dos estudantes não fazem estágio por dificuldades de encontrar uma oportunidade onde possam aprimorar seus conhecimentos teóricos adquiridos nas salas das universidades. Foi constatado também que apesar das iniciativas das faculdades de inclusão do estudante no mercado, a oferta de oportunidade não é o suficiente para suprir a demanda.


Mayara Toledo, uma das desenvolvedoras da pesquisa, informou quais os principais pontos de dificuldades: “Somos universitários e já tínhamos uma ideia de como anda o mercado, mas não imaginávamos que estaria tão ruim quanto mostrou nosso levantamento”, observa. A pesquisa coletou ddados como gênero, idade, renda familiar, semestre, tempo de procura por estágio, dificuldades, entre outros. Quase metade (47%) tinha entre 18 e 21 anos e pouco mais da metade (57%) eram mulheres. Os alunos eram de diversas universidades e faculdades, como USP, FMU, Anhembi Morumbi, Mackenzie, PUC e Cásper Líbero. Os cursos eram Medicina, Direito, Engenharia, Comunicação, Arquitetura e Artes Visuais. Todas as modalidades de cursos oferecem cadastro em banco de estágio, no entanto, 53% não fazem estágio.

O governo brasileiro tem programas de incentivo, mas, ainda assim, não consegue atender à demanda. Boa parte dos cidadãos sequer sabe desses projetos ou usufrui desses serviços de inclusão ao mercado de trabalho. Um deles é o Centro de Apoio ao Trabalhador (CAT), que não somente intermedia a contratação, como tem diversos projetos para que essa inclusão ao trabalho seja mais eficiente. Serviços como emissão de carteira de trabalho e habilitação do seguro desemprego também são realizados pelo centro. Mas a maioria das iniciativas de inserção é da iniciativa privada, como o Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE) que é mantido pelo empresariado nacional e voltado exclusivamente a jovens que estão no ensino médio, técnico e superior. Muitos sites hoje em dia prestam esse tipo de serviço. Alguns são pagos, outros gratuitos como vagas.com (gratuito) catho.com.br (pago).

Existe também outra forma de atender à população. Trata-se da união entre a iniciativa privada e pública. Um dos exemplos é o Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec). Esse programa inclui alunos selecionados na escola pública para fazer cursos profissionalizantes e, posteriormente, esses são encaminhados para o mercado de trabalho. O outro é o Programa Nacional de Inclusão de Jovens (ProJovem), que os divide em categorias: adolescente, urbano, campo e trabalhador. A ação se destina a jovens de baixa renda que precisam de qualificação profissional. Após receberem treinamento, são indicados a empresas associadas ao programa.

Apesar dos projetos que existem no Brasil, é evidente o despreparo dos jovens que saem do ensino médio, e até da graduação, sem os requisitos necessários para conseguir um emprego. Isso é constatado ao ver tantas pessoas desempregadas e, em contrapartida, empresas em busca de contratar. A empresa Entertainment Sports Management ESM, que trabalha com marketing esportivo, declarou que procura por profissionais de comunicação que tenham experiência para contratar, mas não encontra. Já Guilherme Amorim, 23 anos, é formado há dois anos em jornalismo pelo Mackenzie, porém sem especialização. Esse é apenas um exemplo de como é difícil conciliar esses pontos e ingressar em uma profissão atualmente.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.