sábado, 24 de maio de 2014

As mídias digitais e as mudanças no mercado de trabalho do jornalista

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Carol Sassatelli

O avanço da tecnologia, acompanhado do crescimento da globalização vem diariamente alterando o mercado de trabalho em diversas áreas, especialmente nos últimos 20 anos. De acordo com o sociólogo Rafael Grohmann, mestre e doutorando em Ciências da Comunicação na ECA/USP, apesar dessas mudanças serem verificadas em vários campos profissionais, há um grande enfoque para as alterações no jornalismo. Grohmann, juntamente com a professora Roseli Fígaro, jornalista e doutora em Ciências da Comunicação, e Cláudia Nonato, socióloga e doutoranda em Ciências da Comunicação, vem desenvolvendo pesquisas a respeito do tema, e juntos são autores do livro “As mudanças no mundo do trabalho do Jornalista”, lançado em 2013 pela Editora Atlas.


Grohmann é enfático: “O perfil do profissional do jornalismo mudou totalmente nos últimos anos”. Segundo a pesquisa realizada [...] o cidadão é a testemunha e o árbitro do que vai pelos meios de comunicação, digitais ou tradicionais. A sociedade pode ter maior domínio e participação na formulação dos discursos que circulam como fatos, como verdade”. Ou seja, com o envolvimento do indivíduo comum na divulgação das informações, o alcance das notícias é expandido diariamente.

Um ponto é fato: a função do jornalista como informante da sociedade está tomando novos rumos. Isso porque, em tempo de mídias digitais é possível notar uma necessidade de adequação à atual realidade. Curiosamente, essa movimentação deu o pontapé inicial a uma função do cidadão comum como divulgador de informações entre si.

A estudante de jornalismo Victória Xavier, 22 anos, e a jornalista Sandra Oliveira afirmam que, apesar de consultar os principais portais online no trabalho e em casa, é importante exercer a leitura diária de revistas e jornais para obter várias visões a respeito de um mesmo assunto. Quanto à internet, Victória é direta: “O único problema da internet é o fato das pessoas não saberem filtrar e divulgarem notícias falsas. Mas, por outro lado, somos capazes de ler e saber o que está acontecendo do outro lado do mundo em apenas um clique”. Sandra, portadora de paralisia cerebral, vê uma grande vantagem nos meios digitais. De acordo com ela, a maior facilidade é acessar a informação sem sair de casa: “É um grande facilitador à vida das pessoas como a minha, me permitindo ler muito sem segurar nada na mão”. 

Já Gabriela Monteiro, 18 anos, vestibulanda para o curso de Jornalismo, afirma ter certa dificuldade em concentrar-se quando precisa ler algo em portais de internet, preferindo acompanhar as notícias por meio de jornais e revistas. 

Ou seja, há duas maiores dificuldades nessa “evolução da informação”. A primeira é a dificuldade em filtrar a notícia apresentada em relação ao que é verídico e falso. O Poder Legislativo brasileiro está tentando contornar a situação por meio da promulgação da Lei nº 12.965/2014, a qual regula o “Marco Civil na Internet” desde o mês de abril deste ano, o que promete definir limites e sanções ao uso da Internet no Brasil. 

A segunda dificuldade é uma contradição. Hoje, quanto maior o número de informações diárias que recebemos, menor é a absorção do conteúdo divulgado. E isso transforma o jornalismo, já que os profissionais acabam precisando encaixar o seu trabalho nesse novo perfil. De qualquer forma, não é possível afirmar a existência de um declínio das mídias convencionais em relação às novas mídias, já que boa parte da população não possui acesso a tais tecnologias, ou simplesmente adaptaram seus costumes à essa nova realidade. 

Segundo Grohmann, os meios mais tradicionais se renovam com toda essa evolução, e daqui a dez anos não é possível prever qual será a "bola da vez". A tecnologia está em constante mudança, porém, o autor não acredita que o jornalismo tradicional vá terminar por causa dessa evolução.

Confira na íntegra a entrevista realizada com Rafael Grohmann neste link.


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