sábado, 24 de maio de 2014

Aprendiz Legal: Parceria que dá certo

 Maria Teresa Mucelini
Foto: Maria Teresa Mucelini
Fernanda: "Jovens estão em busca do 
conhecimento e desenvolvimento"


Quando se fala na formação e desenvolvimento de jovens para o mercado de trabalho, não existe exemplo melhor que o programa Aprendiz Legal. Trata-se de um programa do governo, amparado pela Lei 10.097/2000, regulamentada pelo Decreto Federal nº 5.598/2005, que determina que empresas de médio e grande portes contratatem jovens com idade entre 14 e 24 anos incompletos como aprendizes.

As empresas enquadradas nessa obrigatoriedade devem ter uma cota de 5% a 15% do seu quadro de funcionários, cujas funções demandem formação profissional como aprendizes. O cálculo da cota é feito por um fiscal do Ministério do Trabalho e Emprego.

Os jovens interessados no programa cadastram-se nas instituições formadoras, parceiras desse projeto e  licenciadas pela Fundação Roberto Marinho. Eles são, então, contatados de acordo com a demanda das empresas.

A continuidade do processo se dá quando a instituição formadora encaminha candidatos ao programa, de acordo com o perfil solicitado pela empresa, considerando o local onde o jovem mora e estuda, para facilitar a logística de deslocamento, principalmente nas grandes cidades. O processo de seleção é realizado pela empresa.

Os jovens selecionados assinam um contrato especial de trabalho, por tempo determinado, com duração mínima de 12 meses e máxima de dois anos. São remunerados, têm direito a férias, FTGS e vale-transporte.  Porém, para ser beneficiado pela lei, o jovem deve estar cursando a escola regular ou ter o ensino médio concluído.

No programa, esses jovens recebem da instituição formadora ensinamentos teóricos que articulam com as atividades práticas. São ensinamentos ligados ao dia a dia de uma empresa, incluindo dicas de comportamento em ambiente profissional, além de acompanhamento psicológico.

A formação dos jovens é realizada por ambos, empresa e instituição formadora. Os conteúdos  teórico e prático devem, como regra, ser ministrados concomitantemente durante o contrato de aprendizagem. 
A jovem Fernanda de Oliveira Santos,  21 anos, passou pelo programa Aprendiz Legal quando tinha 16 anos e hoje assume a posição de auxiliar de Recursos Humanos na MD Papéis Ltda, uma empresa de papéis especiais.  “Não fui efetivada na época em razão da idade que possuía ao terminar o contrato. Porém, passados alguns anos, concorri a uma vaga no Departamento de Recursos Humanos  e fui contratada. A passagem pelo projeto me ajudou a conquistar a vaga e a experiência vivenciada na empresa serviu como uma carta de recomendação”, conta.

Ana Patricia Muller, analista de Recursos Humanos na mesma empresa onde Fernanda trabalha,  comenta que muitos jovens aprendizes não têm idade para serem efetivados ao final do programa. Entretanto, esse período de aprendizado e convivência na empresa proporciona um conhecimento prévio das habilidades desse profissional em formação e abre portas para uma contratação futura: “Esses jovens ingressam na empresa com idade ao redor de 14 anos. Portanto, ao terminar o programa, eles ainda não podem ser efetivados em razão da idade. Entretanto, muitos retornam ao completar 18 anos, através de estágios ou contratação efetiva”, explica Ana. “A grande vantagem desse programa é a formação e desenvolvimento de futuros profissionais que possam  vir a fazer parte do quadro de funcionários da empresa.”

Na instituição formadora onde Fernanda se cadastrou, uma média de 400 jovens são capacitados por ano. “Nossa expectativa em 2014 é alcançar 90% de empregabilidade (considerando vagas como Aprendiz e CLT), contra 80% alcançados no ano 2013”, comenta Aline Moda, psicóloga da AssociaçãoCultural Comunitária Pró-Morato, localizada na cidade de Francisco Morato, município da Grande São Paulo.
Segundo Aline, com a desestruturação das famílias e a falta de acesso à cultura e educação formal de qualidade, o maior desafio da Pró-Morato é propor um modelo diferenciado, em que a busca de um projeto de vida, inserção e permanência no campo profissional sejam pautadas pela ética, responsabilidade e pelo exercício da cidadania.

Para Fernanda, esse projeto é uma oportunidade única para jovens que querem ingressar no mercado de trabalho: “Não somos mão de obra barata para o mercado, mas jovens em busca de conhecimento e desenvolvimento que formarão o profissional das gerações futuras”, diz.

Apesar de o programa priorizar jovens com  perfil socioeconômico em situação de vulnerabilidade social, o AprendizLegal é para todos. O Aprendiz Legal é um projeto que vem mostrando que, por meio de parcerias, é possível formar profissionais mais capacitados para o mercado de trabalho.

O PAPEL DOS ENVOLVIDOS

Instituições formadoras:  Responsáveis pela gestão educacional do aprendiz, aplicando o curso de formação, intermediando a contratação do jovem e supervisionando a aprendizagem na empresa, desde o processo de seleção até o final do contrato. Também acompanham  as relações com a família e o desempenho do jovem na escola regular.

Empresa:  Tem o papel de formar e orientar os aprendizes nas atividades práticas da ocupação para a qual  foi contratado, em consonância com o curso teórico aplicado pela instituição formadora.
Família: Espera-se que a família provenha os cuidados de saúde, alimentação, suporte afetivo e demais incentivos necessários ao bom desempenho do aprendiz no programa.



Fundação Roberto Marinho: Faz a gestão institucional e pedagógica e responde pela gestão da marca, pela execução da comunicação, monitoramento  da metodologia do programa, formação continuada da instituição formadora, pelo desenvolvimento dos materiais didáticos e administração do ambiente virtual. O Aprendiz Legal é um dos programas da Fundação Roberto Marinho implementado no modelo de franquia social.

Fontes:
Aprendiz Legal
Fundação Roberto Marinho

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